quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Luzes em mim


A vida chama... Clama... Chora e ri...
O tempo passa, por trás de vidraças... Mórbidas cicatrizes na alma...
Voe... Elabore ritos... Mova-me... Construa à memória... Curve-se ao riso... Mova-me por entre os teus dedos...
Quando a vida gosta... O Amor inflama... Dança... Canta... Ilumina-me com a tua boca.
Os versos presos... Perda de tempo...
O vazio que enxagua... Grita?... Ficar na gruta... Púrpura encruzilhada?
Olhei e não vi... Tantos vagos atributos... E tu surdo?
Luzes em minha face... Perdemos a oportunidade de colher as crostas de um dia único... Quando fechados os olhos...
Um dia...Absurdamente, apaixonado... Dois caminhos, todos levam ao meu peito...
Isso não tem mais jeito.

Resta um


Pouquinho dos dias... Das luminárias... Da fonte...
Das águas de todos os tamanhos.
Rasgas as veias, com a fragilidade dos ditos...
Crias... Credos... Criados... Raízes...
Resta um... Grude de terra... Para levantar acampamento... E, no (do) firmamento sacudir a poeira.
Escultura feita de nuvens... Desvai-se com um sopro...
Alguns contornos ganharam vida, ao longo dos anos... Outros abrigam o mistério das garras afiadas... Apenas planos.
Volvo os olhos para a estrada... Arranco, do corpo, as vestes do que fora encravado...
Resta um minuto... Reforçaria o dito... Mas, rasgo os papiros...
Nem folhas... Nem frutos... Apenas, abrigo.

Flores, no caminho

Silenciosamente, diga que elas são pra mim...
O nascer... A vida...
O espetáculo das cores... Das danças...
Do rodear o caminho, à procura de tons... Multisons.
Nascemos... Estamos... Somos... Sempre o que nos é possível...
E o impossível ganha o rumo das esquinas...
Das ruas... Asfalteadas pelos sonhos.
Movemos moinhos... Vivemos!... Seres... Humanos.

Riso

"Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho,
quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria." Pablo Neruda
Riso
O vento leva as páginas... Anda pela cintura... Corrói o mais liso dos sorrisos.
'Ri-te da noite'... Dos dias... Das atitudes... Ri-te de mim... Porque não temos escolhas.
Versos que dançam... Por entre os moinhos de vento... Do escaravelho das minhas crenças... Do rumo da minha dança.
Olho o vento que passa... Que passo... Bamboleio por entre os galhos...
Sou apenas um rastro..
"Ri-te da noite"... A névoa anda pelos travesseiros...
Com o visgo do tempo... Saboreio as ruas... Os caminhos embalados pelo vento... Pelo tempo que é vasto.

Ninho

Navego pelas estrelas...
Das palavras, aquela menor... A mais intensa.
Versos... Vozes...
Ninho de choro, barbas de uma árvore que escorregava por entre os meus cílios... Ou meus dedos.
Norteei o meu rumo...
Andei pelas ruas... Pelas esquinas do tempo...
Tudo muito rarefeito.... Com efeito, às formas.
Palavras enroladas na língua... Andares soltos... Meu frasco de pedacinhos de vida...

Luz

Hoje, dia de festa... Muitos confetes e serpentinas... Muitos blocos e escolas...
O país dança... Encanta-se... Move-se, em Estados... Samba... Frevo... Marchinhas...
O mundo vive de luz... Precisa de lua... Energia que flui...
Em certos momentos, falha... E o apagão toma conta, mas isso é para outra prosa.
Ano novo... Carnaval... E a gente só começa o ano, depois das cinzas... Ou, quando for possível, afinal.
A vida gerada e servida... Com restos de brilhos... Com fonte segura... Com extrato de clorofila... Pigmenta-se a face... Pinta-se com os dedos, os detalhes... Vira-se índio... Volta-se ao descobrimento.
A luz das cachoeiras... Dos mitos das lendas... Dos boitatás... De Iara... Das águas.
As luzes das forças... Das imagens seletas... Das velas.
O ser iluminado, a meu ver, sem precisar de um patriarca... De alguém para guiá-lo... Pode ser a luz... Se dignamente for embalado.
Amar ao lado... Sem precisar estar entalhado em tábuas... Ou testas...
O AMOR é a luz do Universo... A mensagem mais seleta.
Cuidar do outro... Ser seu contorno... Pageá-lo, sem preconceitos... O verdadeiro entendimento.
Muita gente precisa de luz... Da verdadeira reflexão...
Palavras devem levar a gestos... Educação não está nas valas do ego...

Amo-te

Entre as pétalas... Entre as luzes...
Na neblina que escorre pelos ombros... Nas frestas de um futuro... De um presente.
Vejo a lua...
Os nós se destacam... É certo que sim...
Mas,
As cores são firmes... Enroscam-se nas linhas das mãos...
Criamos... Criaturas... Criadores de laços... Enlace.
Movem-se as nuvens...
Amo-te... Envolta em lenços... Tão finos... Tão meus.

O Humano

Córregos de lábios... Algumas unhas lascadas... O pelo sobre a pele, arrepiada.
Nós de tripas... De coisas entaladas...?
O humano e seu contemplo... As faces que direcionam o medo.
Larguras... Lacunas... Lamúrias... "Latidonez"...
Mais um que dorme em berço explêndido... Marcas de uma sociedade que se cria... Que cria tantas marias... Que enlouquece josés...
Hipocrisia... Maldizeres... Pedras nos sapatos... Bolhas que incomodam, no asfalto?...
O requinte de soberba... O requinte de crueldade.... O requintado gosto das nossas mesas... O vocabulário poderia ser extenso, nessa hora...
Moles sílabas... Nem perto do avesso!
O humano que se idolatra... Que diz que é mais forte do que tapas... Que vira capa... Manchetes...
Ruas das margens... Das beiradas... Ao olhar dos que passam em disparada.
Mais um carro perde o rumo...
Sambam os meus olhos...
E o consumo ainda ganha o respaldo das vendas... A cegueira das coisas lentas...
Lotados centros... Ego (cêntricos)... Centrados humanos?
Riscos... Rabiscos... Fantoches... Atos.

Amor?

"Eu queria ter na vida simplesmente... Um lugar de mato verde... Pra plantar e pra colher... "

Ando aflita... Não durmo nas horas da Lua... Acordo com sorriso, todos os dias...
Beijo com gosto de pêssego... Ando sem sossego...
Queria saber o que é ... O que será que nos liga?!!...
Páginas e páginas... Um lugar de mato verde... O que plantar o que colher?
A casinha branca... A varanda... Para ouvir o Sol nascer.
Ando aflita... Com os calcanhares presos... Com a boca lambuzada por palavras soltas...
Minha Língua afiada e quase louca.
Perco-me, em um sorriso... Guardo as armas... Percorro o franzir da testa... Procuro a tesoura, para cortar a tua gola...
Ando pelas esquinas... Pelas notas... Rotas de ditas... 'O envenenar das veias'... Amostras.
Onde deixar os meus livros ou discos... Percorro as estantes do tempo... Tudo parece mais lento... Espreguiço...
O que acontece comigo? Quando as palmas silenciam a cadência dos giros...
Ando aflita... Com a sede a rodopiar meu colo... Guardando plumas... Olhando as ondas... Inventando Cecis e Peris... Bebendo Guaraná... Aprendendo Guarani...
Alongo as horas... Achando que tudo demora...
Ah!... Respostas que dizem que o mundo virou cola... Que o olhar anda perdido dentro do teu?...

É o Amor...
rsrsrs

Pontinhos

Deixo pontos... Beijos e planos...
Deixo à noite... A Lua... As cores... O brilho....
Reticências... Das falas que bordaram o dia.
Pigmentos das sílabas recortadas... Uma Lâmina afiada de sentidos...
Para o jato de água molhada... Para as frestas que abrem o dia...
Colar os pedacinhos de azulejo... Um mosaico de cuidados.
Ser o ventre... O atalho para o destino.
Lanço cascas... Folhas e frutos...
Nossas crias... De versos oblíquos.
Os pontinhos marcados com a lambida do tempo.
Delicados entalhes... Com a palma das mãos...

Palavras embaladas

Ouvimos segredos... Descuidos e medos...
Sabemos distâncias... Limites... Respostas...
Volumes... Ciúmes?... Revoltas... Falsas... Modéstias...
Não brinque com a fome... O prato tem bordas.
Suplique à sensatez... O lastro que deixas...
Sedentas estrelas... São cordas da orquestra.
Não brinque com o riso... São pérolas embaladas.
Sejamos serenos... Severos, conosco...?
O outro é o caminho... Aprender a viver...
Soluços e veneno... Na vida não têm vez.
O Amor sempre ensina... O cuidado com o peito.
Amar sem limite?... Atira ao chão.
As voltas da vida... São grandes tropeços.
Migalhas são cinzas... Cuidar é o começo.
Palavras tão soltas... Rompendo o costume... Ser dono?... Ser réu?

Que a noite se entregue... Não sei nada disso!
Se pontes... Se palcos... A boca do avesso... Canso... Adormeço!

Imagem

As formas dançam em meus sentidos... Nem todo o espaço poderia conter o meu sorriso...
Aos goles... Amo sem paciência... Tudo... Tudo é referência...
Andei pelos tempos antigos... Ainda não sei no que acredito... Templos de mim... Templos deslocados... Argumentos.
O vento corrói a alma... Sob o encantamento de alguém que existe...
E o mundo... Inexistente... Nem sabe por onde anda... Nem precisa de tanto cuidado.
Uma dança de sentido... Uma brincadeira... Na água.
Amar em gotas de oceano...O canto doce... As lágrimas que escorrem pelo meu rosto...
Amo... Com a delicadeza do corpo... E as mãos que circulam o teu rosto...
Os golpes do chão... O enchadar o coração... Galope... Voo... Do corpo em movimento. Exatidão.
Assim, tu me amas... Contra o tempo.
Andarilhos, na ilha deserta... Amores em plena praia... Da areia e da mina d'água...
Uma brincadeira de pirata...

O Trem

Ando pelos trilhos... Salteando os dormentes... Um a um, vejo transpor o tempo.
Os pés firmes... Dançam por entre as rimas... As prosas... O articulado espaço recortado de um linha férrea.
Sei das folhas soltas... Sei de tudo que a boca resgata... Sei dos nós que carregas... Dos vagões de flores que me cercam.
Cada palavra dita... Cada olhar e riso desenhados... Cada aflição... Cada gosto do cantinho da boca roubado.
Caminho sobre a estrutura da estação... Deparo-me com os vagões... Ouço o apito de uma partida, ao som do movimento...
Desperto-me para os sinais... De cada acorde que palpita... Ainda a onda de Florbela... Ainda rastros dos teus reflexos.
O peito lateja excitado pelo contorno que crias... Assim, o corpo se aproxima... Da maquinária... Do dia-a-dia... Da maria que carrega a imagem selecionada... Os vagões.
As folhas dançam, enquanto o banco ainda espera...
Foi-se o trem... Sentei-me na estação para ouvir aqueles que chegam... Que se partem ao meio com a despedida... Que se encaixam no pranto do retorno.
Assim, os versos acompanhados pelos gemidos do trem em movimento... Abrem as páginas de um livro, na estação...

Mergulho

Olhamos a noite que aparece para todos... Alguns raios de Lua... Tão minha... Tão tua...
As vestes do silêncio retiradas... Algumas doces notas... Algumas gotas de risos... Pérolas da tua boca.
Mergulhados em sonhos... Aceitamos os entalhes dos dias...
Perdemo-nos nas linhas finas de uma vontade louca.
Amamo-nos nas ondas do mar que te envolve... Na areia fina... Nas varandas que circulo em teu corpo.
A noite cai feito abrigo...
Solidificados os ditos... Um amor mais bonito.
Seresteio a face com os dedos... Tenho nas formas o teu aconchego...
Mergulhamos nas gotas de uma esquina... O infinito que me lasca o juízo...
Arrasto o texto... Com sílabas iluminadas...
Retiro as vestes... Sob o olhar da lâmina d'água... Os lenços ao vento...Um passo nas pontas dos pés...

As ruas

Nasceram outros galhos finos... Sairam para passear algumas flores... Novos ninhos de frutas... Amadureceram em pleno pé do dia que raia...
Andei tanto, por entre muralhas...
E falo da brisa... Das letras.. .Dos sons, em alturas graves... Baixos e lençóis de cetim...
Sinto as ruas adormecerem por instantes... São rastros de um pequeno livro da estante... São o fechar dos olhos que tombam a alça que brinca em meus ombros...
Tudo é instante... Fotografado pelos olhos...
Abre-se a grande lente... Amplia-se o mundo sob o nosso foco... O recorte de sentidos... A lua de gato... O lamber os dias.
Percorro a face, com os dedos molhados... Cada traço direcionado para a caixa de cuidados... Abrigar o sorriso... O rosto inanimado das falhas... Amar precipícios. Guardar tudo comigo.
Olho as fachadas de uma história... Seus contornos... Minhas folhas que nadam em lembranças flácidas... Lâminas de uma faca afiada que cortam as veias... Escorro pelo tapete vermelho... Misturar-me a ele... Ser o verter das batidas de uma máquina desgarrada de mim...
E enlouqueço... Ganho formas e tropeços... Visto a alma de segredos... E transmuto azulejos... Na prata banheira que jorra ondas... Que engole as lágrimas.
Mergulho... Banho-me nas páginas das tuas sílabas... Dos teus olhos que delineiam meu travesseiro.
A brisa chega... O vento forte anuncia... Que lanças as mãos ao meu colo... Que me envolves entre os braços da agonia... Que sacias a sede no céu da minha boca... Armadilha de sentidos... A metáfora que asfixia...
Ganho asas... Sou as asas de uma escadaria... Movo luas... Sou mais uma criatura... Cada vez mais minha...
Criada em laços de fitas... Em borbulhas de vontades...
As palavras servem de amparo, para a nossa saliva... Fixa às mãos, tremeriam diante da pele... Do invólucro aberto por uma chave de sonhos...
Entorpeço a gama que aflora... Nada resta das ruas que lambem o contorno...
Até outro dia... Chamaremos o tempo... Guiaremos a lua... Acertaremos os ponteiros...

A onda que palpita

"Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é d'oiro, a onda que palpita."
Florbela Espanca

A Lua fala mansinho... Que não existe um amor maior no mundo...
Firmes pegadas... Às manhãs, de uma vasta estrada.
Bebo, com as mãos em conchas, as nuvens que te seguram...
Minhas vistas caminham... As jabuticabinhas, em pleno voo.
Movo-te, em cordas de um suspiro... Criamos laços... Movemos moinhos.
Dou-te o que a minha retina agita...
O manto da tarde que surge... O palpitar das veias...
O sol do peito meu... Um pouco de mim... 'A onda que palpita'.

Nossa canção

Nossa canção

Quero o vasto campo colorido... Amor...
Os plantados pés... Comendo o dia lindo. Explendor.
Amar a ti, em plena lua... Ao amanhecer.
Sei que é tão difícil aliviar a dormência dos dedos...
Demência estampada, nas ruas vastas... Algum sentido existe?
Saber viver... O inconfundível... O lamento abrigo... Eu sei.
O te querer... O querer a mim...
Saber correr... Pelos lagos... Pelos campos... Teu sorriso meu encanto...
Sei que a vida tem destinos diferentes, sim... Cada traço escolhido por mim...
Cada traço recolhido na memória... Mas, para nunca mais viver?...
Sei ... O caminho está coberto... Cor... Que os teus olhos são torrentes... Dor... Eu sei.
Córregos de nós... Nossa canção...
Às mãos... Fazer ... Dizer... Amor...

Ouve-se

Ouve-se

Falando sério... A música em meus ouvidos...
Ao gosto da lua... O sol que queima... Desfalece.
Ainda que os rumos... Ainda que os sulcos...
Podemos ouvir...
Ouve-se o rasgo dos grãos... O espalhar, na terra, a continuação.
Saborear os dias... Apenas meus... Apenas nossos...
Falando sério... Mais sentimento?...
E o que guardo no peito... O distribuir sorrisos... Amanhecer com o canto dos passarinhos...
Ao gosto das ondas... O mar que refletes tanto...
Em direção à cachoeira... Todos os sonhos... Oceanos.
Falando sério... Ouve-se o tempo construído... Cada tijolo... Cada entalhe de sentidos.
E a poesia ganha ares de meditação...
Galgar o espaço... Reflexo do espelho d'água... À minha face, a tua direção.