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Luzes em mim

A vida chama... Clama... Chora e ri... O tempo passa, por trás de vidraças... Mórbidas cicatrizes na alma... Voe... Elabore ritos... Mova-me... Construa à memória... Curve-se ao riso... Mova-me por entre os teus dedos... Quando a vida gosta... O Amor inflama... Dança... Canta... Ilumina-me com a tua boca. Os versos presos... Perda de tempo... O vazio que enxagua... Grita?... Ficar na gruta... Púrpura encruzilhada? Olhei e não vi... Tantos vagos atributos... E tu surdo? Luzes em minha face... Perdemos a oportunidade de colher as crostas de um dia único... Quando fechados os olhos... Um dia...Absurdamente, apaixonado... Dois caminhos, todos levam ao meu peito... Isso não tem mais jeito.

Resta um

Pouquinho dos dias... Das luminárias... Da fonte... Das águas de todos os tamanhos. Rasgas as veias, com a fragilidade dos ditos... Crias... Credos... Criados... Raízes... Resta um... Grude de terra... Para levantar acampamento... E, no (do) firmamento sacudir a poeira. Escultura feita de nuvens... Desvai-se com um sopro... Alguns contornos ganharam vida, ao longo dos anos... Outros abrigam o mistério das garras afiadas... Apenas planos. Volvo os olhos para a estrada... Arranco, do corpo, as vestes do que fora encravado... Resta um minuto... Reforçaria o dito... Mas, rasgo os papiros... Nem folhas... Nem frutos... Apenas, abrigo.

Flores, no caminho

Silenciosamente, diga que elas são pra mim... O nascer... A vida... O espetáculo das cores... Das danças... Do rodear o caminho, à procura de tons... Multisons. Nascemos... Estamos... Somos... Sempre o que nos é possível... E o impossível ganha o rumo das esquinas... Das ruas... Asfalteadas pelos sonhos. Movemos moinhos... Vivemos!... Seres... Humanos.

Riso

"Ri-te da noite, do dia, da lua, ri-te das ruas tortas da ilha, ri-te deste grosseiro rapaz que te ama, mas quando abro os olhos e os fecho, quando meus passos vão, quando voltam meus passos, nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera, mas nunca o teu riso, porque então morreria." Pablo Neruda Riso O vento leva as páginas... Anda pela cintura... Corrói o mais liso dos sorrisos. 'Ri-te da noite'... Dos dias... Das atitudes... Ri-te de mim... Porque não temos escolhas. Versos que dançam... Por entre os moinhos de vento... Do escaravelho das minhas crenças... Do rumo da minha dança. Olho o vento que passa... Que passo... Bamboleio por entre os galhos... Sou apenas um rastro.. "Ri-te da noite"... A névoa anda pelos travesseiros... Com o visgo do tempo... Saboreio as ruas... Os caminhos embalados pelo vento... Pelo tempo que é vasto.

Ninho

Navego pelas estrelas... Das palavras, aquela menor... A mais intensa. Versos... Vozes... Ninho de choro, barbas de uma árvore que escorregava por entre os meus cílios... Ou meus dedos. Norteei o meu rumo... Andei pelas ruas... Pelas esquinas do tempo... Tudo muito rarefeito.... Com efeito, às formas. Palavras enroladas na língua... Andares soltos... Meu frasco de pedacinhos de vida...

Luz

Hoje, dia de festa... Muitos confetes e serpentinas... Muitos blocos e escolas... O país dança... Encanta-se... Move-se, em Estados... Samba... Frevo... Marchinhas... O mundo vive de luz... Precisa de lua... Energia que flui... Em certos momentos, falha... E o apagão toma conta, mas isso é para outra prosa. Ano novo... Carnaval... E a gente só começa o ano, depois das cinzas... Ou, quando for possível, afinal. A vida gerada e servida... Com restos de brilhos... Com fonte segura... Com extrato de clorofila... Pigmenta-se a face... Pinta-se com os dedos, os detalhes... Vira-se índio... Volta-se ao descobrimento. A luz das cachoeiras... Dos mitos das lendas... Dos boitatás... De Iara... Das águas. As luzes das forças... Das imagens seletas... Das velas. O ser iluminado, a meu ver, sem precisar de um patriarca... De alguém para guiá-lo... Pode ser a luz... Se dignamente for embalado. Amar ao lado... Sem precisar estar entalhado em tábuas... Ou testas... O AMOR é a luz do Universo... A mens...

Amo-te

Entre as pétalas... Entre as luzes... Na neblina que escorre pelos ombros... Nas frestas de um futuro... De um presente. Vejo a lua... Os nós se destacam... É certo que sim... Mas, As cores são firmes... Enroscam-se nas linhas das mãos... Criamos... Criaturas... Criadores de laços... Enlace. Movem-se as nuvens... Amo-te... Envolta em lenços... Tão finos... Tão meus.