quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Trem

Ando pelos trilhos... Salteando os dormentes... Um a um, vejo transpor o tempo.
Os pés firmes... Dançam por entre as rimas... As prosas... O articulado espaço recortado de um linha férrea.
Sei das folhas soltas... Sei de tudo que a boca resgata... Sei dos nós que carregas... Dos vagões de flores que me cercam.
Cada palavra dita... Cada olhar e riso desenhados... Cada aflição... Cada gosto do cantinho da boca roubado.
Caminho sobre a estrutura da estação... Deparo-me com os vagões... Ouço o apito de uma partida, ao som do movimento...
Desperto-me para os sinais... De cada acorde que palpita... Ainda a onda de Florbela... Ainda rastros dos teus reflexos.
O peito lateja excitado pelo contorno que crias... Assim, o corpo se aproxima... Da maquinária... Do dia-a-dia... Da maria que carrega a imagem selecionada... Os vagões.
As folhas dançam, enquanto o banco ainda espera...
Foi-se o trem... Sentei-me na estação para ouvir aqueles que chegam... Que se partem ao meio com a despedida... Que se encaixam no pranto do retorno.
Assim, os versos acompanhados pelos gemidos do trem em movimento... Abrem as páginas de um livro, na estação...

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